quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Escravizado nunca mais!


Explorado, escravizado, humilhado...
Meus gritos por todo mundo foi escutado.
Vendido, reprimido, constrangido...
Por todos fui ignorado e esquecido.

Meu sangue nesta terra caiu...
Porque o meu semelhante permitiu.
Fui julgado como sendo inferior...
Tudo isso por causa da minha cor.

Senhores agiam com maldade...
Diziam que tinham a posse da minha identidade.
Em suas mãos eu era um produto a ser comercializado...
Como qualquer objeto poderia ser negociado.

Os anos foram passando tudo foi piorando...
Mas não calei, continuei gritando.
Implorando pela minha liberdade...
Pedindo por direitos e igualdade.

Mesmo com a abolição da escravidão...
Não teve fim esta situação de sujeição.
O preconceito ainda persiste...
É uma doença enraizada que resiste.

Sou das lutas, forte e destemido...
Mesmo sendo açoitado e reprimido.
Jamais perdi a força de lutar e enfrentar...
Caí mas sempre ousei levantar.

Ignorância sua se achar melhor...
Tachando-me e humilhando sem dó.
Não me entreguei e não me entrego...
Minha raiz, minha fé e minha cor eu não nego.

Que a história seja testemunha da minha luta...
E seja verdadeira, exata e justa.
Que todo esse passado sirva de lição...
E que no futuro não exista mais essa submissão.



sábado, 19 de outubro de 2013

Atividade com a crônica “Meu Primeiro Beijo” de Antônio Barreto

Elabore uma situação de aprendizagem, com pelo menos três atividades, para trabalhar com seus alunos o uso da pontuação nessa crônica.



Atividade com a crônica “Meu Primeiro Beijo” de Antônio Barreto

6 aulas de 50 min.
Turma:  9ºano

1ª aula:
 Ativação do conhecimento prévio dos alunos:

Em uma roda de conversa com os alunos (trabalhando a oralidade):
O que vocês já sabem sobre os sinais de pontuação?
Quais são os mais usados?
Quais os menos usados?

Uso da Sala Ambiente de Informática: relembrando o conteúdo sobre os sinais de pontuação.

Acessem os links:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pontua%C3%A7%C3%A3o



2ª aula:

1)    Leitura compartilhada
2)    Discussão oral, após a leitura
a)    Quais foram as impressões sobre o texto?
b)    Quem é o protagonista.
c)     Qual é o foco narrativo e quais as marcas linguísticas que justificam a sua resposta?
d)    Qual é o possível público alvo desse conto?
e)    Identifique palavras cujos significados são desconhecidos e que dificultam o entendimento textual. Pesquise e anotem as informações colhidas.

3ª aula
3)    Observe a pontuação no texto releia de maneira silenciosa.
4)    Em voz alta, a sala deverá refazer a leitura comentando a relação de sentido do uso de determinada pontuação, por exemplo:

“- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:”

“- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250 bactérias...”

Qual foi a intenção do autor atribuir nesse trecho o uso do ( ponto e vírgula ao invés de vírgula). Observe a diferença de pontuação com uso de vírgula no parágrafo anterior.

Por que foi usado reticências? E se o autor escolhesse apenas ponto, teria o mesmo efeito de sentido?


4ª aula
5)    Observe que o trecho abaixo retirado do conto está sem as pontuações, tentem reorganizá-la e compartilhe com a sala o resultado, bem como anotem as impressões sobre o sentido atribuído ao texto confrontando o antes e o depois.
“Desci cheguei em casa nos beijamos de novo no portão do prédio e aí ficamos apaixonados por vária semanas Até que o mundo rolou as luas vieram e voltaram o tempo se esqueceu do tempo as contas de telefone aumentaram depois diminuíram e foi ficando nisso Normal Que nem meu primeiro beijo Mas foi inesquecível”

Avaliação
5ª aula
6)    Reescreva o texto na perspectiva do rapaz em que a garota deverá convencê-lo a beijar-lhe. Quais seriam os argumentos impostos e enumerados pela menina? Use a pontuação para delimitar os anseios da personagem feminina.

6ª aula


Os textos produzidos podem ser divulgados no mural da escola ou até mesmo selecionar alguns para compor o jornal da escola, se for o caso da escola possuir. 

A exposição oral

Com base na leitura de parte do texto “A exposição oral”, de Dolz, Schneuwly, Pietro e Zahnd (p. 215-226), você deve elaborar uma proposta de sequência de atividades para o ensino desse gênero.


Tema: Gravidez na adolescência.

Nível de ensino: 9º ano do ensino fundamental.

Duração: 4 aulas de 50 minutos.
Parte I - Conhecendo um seminário

O que o aluno poderá aprender com esta aula:
Conhecer o seminário como gênero oral;
Participar de um seminário como meio de apropriar-se do gênero;
Preparar e apresentar um seminário sobre um determinado tema pesquisado.  

Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Modalidades linguísticas: oralidade e escrita.

Estratégias e recursos da aula
Utilização do laboratório de informática e sala de vídeo;
Atividades realizadas em grupo ou duplas de alunos;
Utilização de imagens, textos e vídeos veiculados na internet.


Aula 01

Disponível em:
http://www.brasilescola.com/redacao/o-seminarioque-e-como-realizalo.htm 
O gênero discursivo Seminário é um texto expositivo que tem como foco a oralidade. Em um seminário, um ou mais emissor(es) que estudaram sobre um determinado tema expõem informações, descrevem ou explicam para uma plateia que deseja conhecer sobre o assunto em questão. Possui como características principais uma certa formalidade, a exploração de diversas fontes de informação, a seleção das informações em função do tema e a elaboração de um esquema para a apresentação oral.
Embora esse gênero esteja presente  nas escolas em aulas de diversas disciplinas, nem sempre  é tomado como um objeto  de conhecimento,  mediado e sistematizado  pelo professor no processo de ensino-aprendizagem.
Atividade
1. Para apresentar o tema da aula aos alunos, o professor deverá perguntar a eles:
a. Você  tem dificuldade em se expressar quando está à frente da sala apresentando  um trabalho que exige exposição oral? Como você se sente nesse momento?
b. Vocês já apresentaram um trabalho escolar em forma de seminário? Como foi essa apresentação?
2.  A seguir, o professor deverá  exibir para eles o vídeo sobre o gênero seminário.
Vídeo: Comunicação oral: gênero seminário
Disponível em:
http://www.youtube.com/watch?v=UOEvxhbJlHc 
3. Após a exibição do vídeo, o professor deverá  dispor os alunos em círculo e conversar com eles  sobre  o tema abordado.
a.  Qual a diferença entre oralização de textos escritos e gêneros orais?
b. O que é preciso para se fazer um seminário?
c. Quais os procedimentos necessários para se apresentar um seminário?
d. No exemplo de seminário apresentado no vídeo, quais foram as estratégias utilizadas pelo apresentador?
e. O gênero seminário, assim como qualquer outro, apresenta determinadas características. Você sabe quais são essas características? 




Aula 02
Atividade
O professor deverá levar os alunos  ao laboratório de informática, para, em duplas, pesquisarem sobre o gênero seminário. Para essa pesquisa, os alunos deverão seguir o roteiro abaixo.
ROTEIRO
a. O gênero seminário: definição e características.
b. Principais objetivos de um seminário.
c. Passos a serem cumpridos para se desenvolver um seminário. 
d. Procedimentos básicos para se elaborar um seminário.
SUGESTÕES DE SITES PARA A PESQUISA:
http://www.coladaweb.com/como-fazer/seminario 
http://www.educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/exposicao-oral-sala.htm  

Aula 03
Atividade
A partir das informações obtidas com a pesquisa, os alunos, em grupo, deverão montar um painel, elencando os procedimentos básicos para a elaboração de um seminário.
Observação:
 Para esta aula, o professor deverá disponibilizar para os alunos o material necessário: tesoura, cola, cartolina e pincel.

Aula 04
Atividade
Produção de um seminário
I - O professor deverá propor aos alunos o tema para a realização de um seminário, qual seja:  Gravidez na adolescência.
 Parte II - Pesquisando o tema.
                           
Objetivo geral: 
Disseminar uma cultura de valorização do sexo e da sua própria sexualidade fornecendo-lhes informações que promovam seu bem-estar e saúde no âmbito físico, social, moral e mental através da realização de um seminário.

Objetivos específicos:

              
- Apropriar-se de procedimentos de escuta e participação de uma exposição oral e de um seminário;
- Organizar a sua apresentação de maneira a possibilitar a compreensão da audiência;

- Apropriar-se de procedimentos de planejamento, produção e revisão de uma exposição oral;

- Compreender as características fundamentais da organização interna de uma exposição oral;

- Utilizar o registro adequado de fala ao organizar a exposição;

- Utilizar os recursos auxiliares mais adequados à compreensão do aspecto focalizado;

- Reconhecer e utilizar as marcas linguísticas características de uma exposição oral em um seminário.             
-Oportunizar discussões e reflexões (presenciais e virtuais) acerca dos problemas causados pela gravidez indesejada na adolescência;

-Despertar o interesse e o gosto pela pesquisa, e pelo trabalho em grupo;

-Promover a socialização e o exercício da cidadania entre a comunidade escolar. 

Estratégias de ensino:

1. Sensibilização  através de dinâmica;
2. Comentários acerca de como podemos relacioná-la as relações que estabelecemos e mantemos em nossas vidas;
3. Canto e análise da música: Xote das meninas de Luiz Gonzaga, ressaltando a questão inerente do ser humano de namorar, se relacionar afetivamente e das consequências:
 benefícios e maléficos que isso pode representar na vida do adolescente e jovem;
4. Enquete: Quando um homem e uma mulher devem iniciar sua vida sexual?
5. Leituras diversas: textos, imagens, filmes  que tratem do tema;

fantastico.globo.com/.../gravidez-na-adolescencia-a-cada-18-minutos-um...‎

http://www.andrefelipe.net/2008/07/juno-filme-sobre-gravidez-na.html
6. Construção de fóruns de discussões ( em blog) , gráficos, cartazes
7. Produção textual;
8. Pesquisas bibliografias dirigidas, pesquisas de campo e na Internet;
9. Entrevistas e relatório dessas;
10. Trabalho em grupo com apresentação oral dos resultados obtidos com o mesmo;
11. Elaboração de questões;
12. Dramatização do romance: Pai? Eu?!!

http://taniamartinelli.blogspot.com.br/2008/12/9-pai-eu.html

13. Socialização das conclusões dos trabalhos apresentados pela turma em um blog.


Recursos:
· Computador;
· Softwares (PowerPoint, Word)
· Projetor de imagem
· Blog;
· Aparelho de DVD/ TV
· DVD de filmes (Meninas – Juno)
· Aparelho de som;
· Livros didáticos e paradidáticos
· Internet;
· Cadernos;
· Impressora;
· Papel ofício
· Canetas/lápis
· Jornais/revistas
          
 O Seminário
O professor deverá apresentar aos alunos a seguinte proposta de trabalho:
Em grupo,  a partir dos vídeos assistidos e dos textos fornecidos pelo professor, organizem um seminário sobre o tema  "Gravidez na adolescência”. O público alvo será  os colegas de sala de aula e o professor.  Procure seguir as etapas seguintes:
1. Planeje com o grupo as tarefas, que deverão ser divididas para cada componente do grupo.
2. Leia os textos fornecidos pelo professor e extraia deles as informações principais.

Faça um esquema (roteiro) do seminário, com a indicação dos pontos mais importantes obtidos com  análise dos textos. Estes pontos serão destacados no início da apresentação. É importante lembrar  que o texto escrito servirá de base para a exposição oral.
Preparem a apresentação, definindo como será o seminário: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. Observem as ideias principais e secundárias a serem abordadas, como serão apresentados alguns dados (por meio de gráficos, estatísticas, tabelas) e qual suporte será utilizado ( cartazes, transparências, slides /PowerPoint, etc). O seminário será mais motivador para o público se forem usados recursos audiovisuais na apresentação.
. Cada um dos componentes do grupo deverá treinar o que vai falar na exposição do seminário. Isso possibilita saber o que deve ser melhorado durante a fala  bem como definir o tempo de fala de cada um.
Na apresentação, cada participante deverá expor oralmente uma parte do trabalho. Estudem bem o texto, para que a exposição seja clara, envolvente e cada um mostre segurança e domínio do assunto. Durante a apresentação, se for preciso consultem o esquema.
Reservem um tempo para o  público fazer perguntas, dar opiniões e pedir esclarecimentos.
Recursos Complementares
Para ampliar o conhecimento dos alunos sobre a temática estudada, o professor poderá  exibir para os alunos o vídeo  abaixo sobre comunicação oral.
Disponível em:
 
http://www.youtube.com/watch?v=em2EXTcSyAY&feature=related 
Avaliação
Os alunos serão avaliados coletivamente durante a realização das atividades de pesquisa sobre seminário e também pela elaboração e apresentação de um seminário sobre "Gravidez na adolescência”.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Fazer amor



Eu e você
Bons momentos
Impossível de esquecer!

Você e eu
Muito bom
Tudo o que aconteceu!

Dois apaixonados
Sedentos de desejos
Em corpos suados!

Sob a luz da lua
O amor aconteceu
Corpos nus de desejos arderam!

Aquele estranho amor
Naquele instante se concretizou.
Decidimos nos entregar
E o pudor derrotar.

Desejos de possuir,
De consumir,
De tocar,
Beijar.

Desejos de morder
Esquecer-se do mundo
Nem se for por um segundo
Para poder amar você.


ESTA POESIA DEDICADO AO MEU AMOR MANU, FOI PUBLICADA NO LIVRO: "BRASIL E PORTUGAL - ELOS POÉTICOS", LANÇADO EM 2011 EM PORTUGAL E TAMBÉM NO BRASIL.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Te amo Manu


Desde o primeiro momento
Que eu te vi
Meu coração bateu mais forte
E jamais te esqueci.

Me conquistou no primeiro olhar,
Me apaixonei no primeiro beijo,
Me entreguei ao desejo.

Bendito seja aquele 24 de julho de 2010.
O dia que a felicidade
Veio morar no meu coração.

Bendito seja Deus, nosso Pai
Que colocou você na minha vida
Me fez acreditar no amor
E esquecer a dor.

Com você tudo fica melhor.
O céu fica mais azul,
A lua mais radiante,
E as estrelas mais brilhantes.

Abrimos mão de muitas coisas,
Vencemos inúmeros preconceitos
Para viver esse amor perfeito.

Não me canso de dizer toda hora
A todo o momento que eu te amo
E somente você me faz feliz.

Nosso juramento permanece vivo
Mais forte a cada dia.
Por todos os dias de nossas vidas
E das vidas que virão.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Meu sonho lindo!


Quando o amor acontece,
A tristeza some,
A alegria aparece!

Quando você apareceu na minha vida,
Eu estava triste e infeliz,
No coração havia ferida.

Eu estava descrente do amor,
Vivendo por viver,
Convivendo há anos com a dor.

Você fez milagre na minha vida,
Fez brilhar o meu olhar,
E no amor acreditar.

Foi uma grande transformação,
Um remédio,
Que curou o tédio do coração.

Ouvir você sussurrar que me ama,
É lindo, maravilhoso!
Simplesmente delicioso!

Você representa pra mim
Tudo de bom que a vida
Pode ofertar!

Agradeço imensamente a Deus,
Por te conhecer,
Por amar você!

Incondicionalmente eu te amo,
É a única certeza que tenho
Depois de tanto engano!

É muito bom
Poder desfrutar da sua companhia,
Ser motivo da sua alegria!

È muito bom
Estar do seu lado!
É muito bom
Amar e ser amado!

domingo, 18 de julho de 2010

Ficar por ficar, não!


Não preciso de alguém
Que simplesmente goste de mim
Quero alguém que eu ame
Que me faça apaixonar!

Não quero apenas ser amado
Eu quero amar
Apaixonar
Desejar!

Não basta ser amado
Não vale apenas ser desejado.
Quero alguém que balança o coração
E faça renascer a paixão.

Ficar por ficar não!
Meu coração deseja amar
O meu intimo anseia
E quer se apaixonar.

No meio da Paulista


No meio da Avenida Paulista
Estava o governo.
Estava o governo
No meio da Avenida Paulista.

No meio do caminho tinha uma treva.
Era o governo.
Tinha uma treva no meio do caminho.
Nesse caminho trevoso estava o governo.

Governo ditador,
Fascista,
Mentiroso,
Enganador.

No meio da Paulista tinha tudo isso.
Tinha um governo ditador.
Não recuamos,
Não desistimos,
Não desviamos.
Passamos em cima do governo;
Seguimos o caminho!

Agora pelo extenso caminho
Caminhava a democracia.
Incansáveis na luta
Por uma educação de qualidade,
Não fraquejamos diante às adversidades!

Lua, diga a ele...


Oh lua de brilho intenso...
Que desperta nos amantes a paixão,
Vá, entregue a ele meu coração!

Diga-lhe que ele o pertence...
Fale para ele dar muito amor,
E quem mandou foi seu admirador!

Deixe-lhe recomendações,
Explique as minhas reais intenções,
Vá, não demora...
Aqui espero a sua volta...

Só mais um detalhe importante...
Fale que não o esqueço um só instante,
E que todo o meu amor é dele,
Que há muito o espera.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Incongruência na educação paulista


Na Resolução SE 44, publicada dia 25 de maio, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo atesta a escassez de professores na rede estadual de ensino. A presente resolução regulamenta a contratação de professores que não realizaram o processo seletivo de 2009.
Eu fico muito feliz quando leio notícias assim! Há muito que o Estado vem achincalhando e humilhando os professores, desrespeitando a lei da data-base e criando milhares de resoluções e decretos sem ao menos consultar os sindicatos da categoria, propõe milhares de ações com o intuito de desvalorizar ainda mais a categoria docente.
Os “especialistas da educação” permanecem alienados a uma política de exclusão elaborada por uma gestão que há 16 anos impera no estado e não conseguem o mínimo de avanço possível na pasta da educação. São Paulo se consolida como um estado onde a educação pública é sinônima de fracasso.
A cada ano mudanças e mais mudanças vêm ocorrendo na educação paulista, mas esquece de valorizar o personagem principal dessa história, o professor! Faz simplesmente o contrário, maltrata e humilha os docentes, trata-nos como bandidos, desordeiros, vagabundos e acredita que mesmo assim poderemos desenvolver um bom trabalho. Sangue de barata acredito que nenhum professor tem e não cursamos uma faculdade, com as dificuldades particulares de cada um, para ser tratado tão mal!
Uma grade greve foi decretada por todos os sindicatos dos trabalhadores da educação e quando tentamos negociação no Palácio dos Bandeirantes, fomos recebidos à balas e bombas, a imprensa parcial, controladas e amordaçadas se limitaram a divulgar notas de rodapé falando da greve. O governo pro sua vez negou a existência da greve durante os 30 dias que perdurou o movimento e depois lançou a oportunidade de reposição dessas aulas não ministradas! Afinal, houve ou não a greve?
Realizou um concurso, com bibliografia extensa, onde muitos autores solicitados na bibliografia não tinham nenhuma pergunta referente na prova. Na época deu entrevista aos jornais falando que a carreira docente estava mais atrativa e havia muitos interessados, que discrepância com a situação atual, onde resoluções sobrepõem outras resoluções com o intuito de corrigir a ausência de professores.
A situação este ano está complicada e a cada ano agrava mais e mais, tenho certeza que em 2011 será bem pior! Muitos professores contratados este ano pela lei 1093, não poderão ministrar aulas ano que vem depois de decorrido um período de 200 dias. Isso sem contar na promoção por mérito, a política de maior exclusão já feita pelo governo! Simplesmente condicionou, de for inconstitucional, o aumento de salário de apenas 20% dos servidores a uma prova, excluindo 80% que há muito não ver cumprida a data-base.
Pode colocar milhares de editais solicitando professores que não haverá ninguém disposto a ser feito de palhaço. Essa ideia de querer contratar professores que não fizeram o provão, que muitos fizeram e acabaram sendo humilhados, é ridícula! É uma incongruência total por parte dos engravatados que desconhecem a realidade escolar.
A vocês, “especialistas da educação”, o meu largo e sarcástico sorriso, uma resposta a incompetência de seus planejamentos.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Procuram-se professores

Editorial do Jornal Agora SP, de 27/05/2010


Faltam professores em São Paulo.

A Secretaria da Educação do Estado não informa quantos, nem em quais matérias, mas reconhece o problema. O sindicato dos docentes afirma que a carência é "generalizada".

O governador Alberto Goldman (PSDB) também admite a falta de pessoal, ao menos em uma disciplina. "Parece que ninguém quer ser professor de física", comentou. "Não sei por quê."

Como assim, governador? Faltam professores porque os salários são péssimos --e as condições de trabalho estão longe das ideais.

Um jovem que se forma hoje em uma boa universidade, em cursos como física ou matemática, tem inúmeras outras opções de emprego, onde certamente vai ganhar mais do que o Estado se dispõe a pagar.

A carência de profissionais é tão grande que o governo paulista teve que voltar atrás em medidas importantes e positivas que havia adotado.

Para melhorar a qualidade dos docentes, professores temporários passaram a se submeter a uma prova de seleção desde o ano passado. Como o número dos aprovados foi insuficiente, o Estado teve que convocar até os que ficaram abaixo da média.

Agora, até quem não tinha prestado o exame pode ser chamado a dar aulas.

Nessa toada, vai ser impossível elevar a qualidade da educação oferecida aos estudantes paulistas.

Se quer mesmo melhorar o ensino e valorizar os docentes, o governo não pode fazer o trabalho pela metade. É preciso cobrar qualidade, mas também pagar por ela.

Educação ruindo em SP

Na prática a greve do magistério derrubou o provão dos temporários



Ao admitir a contratação de professores que não participaram do chamado Processo Seletivo Simplificado instituído pela Lei Complementar nº 1093/2009 (o “provão dos temporários”), o governo estadual criou uma situação que deve levar, pela lógica, à extinção desta prova.

Esta foi uma das reivindicações da nossa greve, realizada entre 5 de março e 8 de abril, durante a qual pudemos expor à sociedade as conseqüências deste tipo de processo seletivo – que não avalia e não valoriza a experiência do professor. Uma destas conseqüências, que já prevíamos, é a falta de professores de determinadas disciplinas. Com a Resolução 44, publicada no dia 25 de maio e que autoriza as Diretorias de Ensino a cadastrar e contratar professores que não fizeram a prova, a Secretaria da Educação se curva à realidade e, na prática, atende à nossa reivindicação.

Entretanto, não há o que comemorar. Ao contrário, lamentamos que os fatos tenham ocorrido desta forma. Se o governo nos ouvisse e dialogasse com a nossa categoria, saberia que os professores estão desestimulados pela ausência de políticas de valorização de seu trabalho e que as recentes leis educacionais que impôs através de sua ampla maioria na Assembleia Legislativa fizeram com que muitos bons profissionais buscassem alternativas fora da rede estadual de ensino.

É o caso, por exemplo, dos professores de Física e Química. O pequeno número de aulas, com baixíssima remuneração, leva esses profissionais a trabalhar na indústria, em consultorias ou em outras áreas. O resultado é que professores de outras disciplinas têm que suprir a falta desses professores, com prejuízos à qualidade do ensino.

Outro eixo importante da nossa greve e que permanece como reivindicação fundamental é a realização de mais concursos públicos, de caráter classificatório e que considerem o tempo de serviço. Esta é a forma justa e correta de selecionar professores para as escolas públicas estaduais, e não provinhas e provões com viés enciclopédico cujo propósito é manter milhares de professores na precária condição de temporários.

Além da natureza excludente do chamado “provão dos temporários” – embora a Secretaria da Educação, neste ano, tenha acatado nossa reivindicação, alterando seu caráter de eliminatório para classificatório – o governo aprofundou a rotatividade dos professores na rede estadual de ensino, ao instituir uma inacreditável “quarentena” de 200 dias entre uma contratação e outra dos novos professores temporários, admitidos com base na LC 1093/2009. Ou seja, faltam professores, os salários são muito baixos, não há uma carreira atraente e, ainda assim, o governo cria um mecanismo que afasta parte dos professores da sala de aula. Não poderia mesmo dar certo.

Além disso, o governo Serra/Goldman desrespeitou o artigo 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ao permitir que bacharéis, tecnólogos e estudantes, por terem obtidos melhores notas no “provão”, obtivessem aulas em detrimento de professores habilitados de acordo com a legislação. Por solicitação da APEOESP e CNTE o assunto foi objeto de deliberação do Conselho Nacional de Educação reafirmando a prevalência do artigo 62 da LDB sobre o procedimento adotado no Estado de São Paulo.

A educação pública paulista necessita de organização, planejamento e soluções estruturais, não de pirotecnia e experimentalismo. Ao lado dos concursos públicos, é necessária a implementação de uma carreira que incentive o ingresso e a permanência do professor na rede estadual de ensino. Para tanto, a carreira deve ser “aberta”, isto é, que possibilite aos professores chegar aos níveis salariais mais elevados sem deixar a sala de aula. Hoje, excelentes professores deixam a sala de aula para ocupar funções, por exemplo, de diretor de escola ou supervisor de ensino, movidos apenas pela necessidade de melhoria salarial quando tais funções devem ser ocupadas por profissionais que possuam verdadeira aptidão para o seu exercício.

Uma carreira atraente tem que ser construída sobre um salário base que valorize de fato o trabalho do professor. O Estado de São Paulo ocupa o 14º lugar no ranking de salários de professores entre os 26 estados da Federação e Distrito Federal. O pior é que não apresenta nenhuma perspectiva de mudar esta situação e aprofunda ainda mais a insatisfação e o desestímulo na categoria ao impor a chamada “promoção por mérito”, que alija de reajustes salariais pelo menos 80% dos professores, além de desrespeitar o princípio constitucional da isonomia salarial.

Toda essa inconsistente teia de medidas equivocadas e prejudiciais à escola pública começa a ruir com a publicação da Resolução 44. Esperamos que a Secretaria da Educação, em vez de continuar “pagando para ver”, tome a atitude que se espera de que está seriamente preocupado com a qualidade da educação pública, dispondo-se a dialogar e negociar com os professores, abrindo caminho para a adoção das soluções estruturais necessárias à superação dos problemas educacionais do Estado de São Paulo.


Maria Izabel Azevedo Noronha - Presidenta da APEOESP

Fonte: http://apeoesp.wordpress.com/

terça-feira, 25 de maio de 2010

Professor doente


Folha de S. Paulo – 23/05/2010

Desde janeiro, 194 se afastaram da rede estadual por problemas de saúde

Índice é o maior entre os servidores; problemas nas cordas vocais, na coluna e psicológicos são os mais recorrentes

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

O professor de história Carlos, 42, fala sozinho às vezes. Seu coração, conta, dispara sem motivo aparente. “Não conseguia controlar os alunos. Queria passar o conteúdo, poucos me ouviam. Foi me dando uma angústia. Fiquei nervoso.”

Não era assim. “Eu era bem calmo”, afirma, referindo-se ao período anterior a 2004, quando entrou como docente temporário na rede de ensino paulista.
Aprovado um ano depois em concurso, foi considerado apto a dar aulas, na zona sul da capital. Passados três anos, obteve uma licença médica, que se renova até hoje, sob o diagnóstico de disforia -ansiedade, depressão e inquietude.
Carlos espera nova perícia. Quer se tornar readaptado -situação de servidores com graves problemas de saúde, que ficam ao menos dois anos afastados da sala de aula. Fazem atividades administrativas na secretaria e na biblioteca, por exemplo.
De janeiro até a última sexta-feira, 194 docentes (mais de um por dia) da rede paulista foram readaptados, aponta levantamento da Folha no “Diário Oficial”. Pelos cálculos da professora Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol, que fez uma pesquisa financiada pela Secretaria da Educação, 8% de todos os professores da rede estão readaptados.
Os casos mais recorrentes são problemas nas cordas vocais, na coluna e psicológicos. A autora do estudo é ela própria uma professora readaptada.
Entre os servidores da Educação, o índice desse tipo de afastamento é maior que dos demais: 79% dos readaptados trabalham nas escolas, categoria que soma 53% do funcionalismo.

POR QUE ADOECEM
Pesquisadores apontam duas razões para tantas licenças. A primeira é a concepção da escola, que requer para as aulas estudantes quietos e enfileirados. “Isso não existe mais. Esta geração é muito ativa. O professor se vê frustrado dia a dia por não conseguir a atenção deles”, diz o sociólogo Rudá Ricci, que faz pesquisas com educadores de redes públicas do país, inclusive no município de São Paulo.
A outra razão são as condições de trabalho. Em geral, os professores dão aulas em classes com mais de 35 alunos, possuem muitas turmas e poucos recursos (não há, por exemplo, microfone). Estudo divulgado na semana passada pelo Instituto Braudel e pelo programa Fulbright mostra que os docentes paulistas têm condições piores que os de Nova York.
Têm carga maior (33 horas semanais em sala, ante 25) e possuem mais alunos por sala (35 e 26, respectivamente).

Colaborou ELISANGELA BEZERRA

Frases

“Em 2002, precisei me ausentar por problemas nas cordas vocais. Ficava muito rouca, no final da semana mal conseguia falar”
MARIA DE LOURDES PEZZUOL
Professora readaptada

“Esta geração [de estudantes] é muito ativa. O professor se vê frustrado dia a dia por não conseguir atenção deles”
RUDÁ RICCI
sociologo

SP anuncia plano para saúde do docente

Programa terá equipes com médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas e enfermeiros

Especialidades são das áreas em que servidores mais têm problemas e são as maiores causas de absenteísmo.


O governo Alberto Goldman (PSDB) reconhece que é preciso melhorar as condições de saúde dos professores de sua rede.
Tanto que deve anunciar, em um mês, um programa de prevenção e eventual tratamento para os 65 mil servidores da educação da capital paulista.
Segundo o chefe de gabinete da Secretaria da Educação, Fernando Padula, a ideia surgiu há três anos, por conta das inúmeras faltas dos docentes. À época, a cada dia, 12,8% deles não compareciam às aulas.
“Havia muito abuso, por isso mudamos a legislação. Mas verificamos também que era preciso olhar para a qualidade de vida dos servidores”, afirmou.
O governo limitou a seis o número de faltas para exames médicos. Até então, o servidor podia faltar metade do ano sem desconto do salário desde que apresentasse atestado médico.
Segundo o governo antecipou à Folha, o novo programa, chamado SP Educação com Saúde, formará equipes com médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas e enfermeiros, que circularão pelas escolas estaduais.
Algumas equipes ficarão fixas nas diretorias de ensino. As especialidades escolhidas coincidem com as áreas em que os docentes mais têm problemas -como lesões nas cordas vocais, dores na coluna e distúrbios psicológicos- e são as maiores causas de absenteísmo.
Os profissionais das equipes serão da entidade filantrópica Santa Marcelina. O servidor que tiver algum problema de saúde diagnosticado será encaminhado ao Hospital do Servidor Público para tratamento.

PREVENÇÃO
Segundo a Secretaria da Educação, o programa é inédito no país. “Vamos atuar na prevenção de agravos, para que os professores faltem menos e estejam mais dispostos, o que impactará na qualidade de ensino”, afirma Fernando Padula.
Sobre o número de docentes readaptados, o governo estadual afirma que o índice vem caindo, tomando como base os dados fechados por ano. Em 2007, foram 902; no ano passado, 341.
(FÁBIO TAKAHASHI)

ANÁLISE

É necessário intervir de forma mais intensiva em prevenção

LUIZ CARLOS MORRONE
ESPECIAL PARA A FOLHA

Estudos com professores da rede estadual da Baixada Santista e Botucatu, de 2000 a 2006, trouxeram importantes informações sobre a saúde de professores, relatadas por equipe do Programa de Saúde do Trabalhador, do Hospital do Servidor Público.
Na região de Botucatu, verificou-se que a frequência de licenças médicas na rede estadual é maior. Para cada cem horas de aulas, os professores da rede privada tiravam em média 1,3 hora em licenças; da municipal 3,1; e da estadual 7,3 horas.
É presumível que o nível excessivamente centralizado das decisões sobre as licenças, tomadas na capital do Estado, seja uma das importantes causas da diferença. Na Baixada Santista, de um total de 735 servidores examinados (mais de 80% professores), 18,8% tinham hipertensão, 4,3%, rinite alérgica, 5,8%, disfonia, e 3%, depressão.
Também foram analisadas 105 licenças médicas, na mesma região, de servidores afastados por mais de 90 dias. Transtornos mentais e comportamentais figuravam entre 51 casos (51,4%), seguidos de doenças osteomusculares, com 13 casos (12,4%).
A análise de 1.272 professores mostrou que os fatores para a ocorrência de doenças vocais são: A) hábitos como falar muito e gritar; B) fatores como ruído e excesso de poeira; C) cargas horárias mais longas e trabalho com alunos no nível médio.
É necessário intervir de forma mais efetiva na prevenção. Para tanto, necessário se faz a criação de uma estrutura que, a exemplo dos serviços especializados em segurança e saúde no trabalho, obrigatórios nas empresas privadas, também sejam estendidos para os servidores públicos estatutários.

LUIZ CARLOS MORRONE é professor da Santa Casa de São Paulo

DEPOIMENTO

“O processo de readaptação foi um período deprimente”

MARIA DE LOURDES DE MORAES PEZZUOL
ESPECIAL PARA A FOLHA

O magistério para mim sempre esteve relacionado a se doar à formação de outras pessoas. Em 2002, infelizmente, precisei me ausentar por problemas nas cordas vocais. Ficava muito rouca, no final da semana mal conseguia falar. À época, tinha jornada de 36 horas semanais.
Fiquei um ano em licença médica. Em 2003, voltei para a escola estadual Vereador Narciso Yague Guimarães como professora readaptada. A sensação foi de perda total da identidade profissional.
Muitas vezes, quando chegava ao estacionamento da escola, me via chorando. Meus ex- alunos me perguntavam: “Professora, quando a senhora volta a dar aulas?”. O processo de readaptação sugerido inicialmente foi de dois anos. Foi um período deprimente. Realizava preenchimento de fichas, atendia telefone, guichê etc.
Resolvi agir. Observei que a sala de informática da escola não funcionava. Em 2004, criei com alunos um projeto para ela. No final daquele ano, fui coordenar a biblioteca, e o projeto parou. Mas voltamos em 2005, com a chegada da nova gestora.
Em 2006, na procura de saber quem é o professor readaptado, pleiteei a bolsa de mestrado da Secretaria da Educação, com a proposta de pesquisa “Identidade docente: A situação do professor readaptado em escolas públicas do Estado de SP”. Verifiquei que o não reaproveitamento do profissional como educador gera acomodação ou insatisfação, com prejuízos pessoais e profissionais para professores. Atualmente, tento voltar.
Estou readaptada há sete anos. Fiz novos exames. O laudo médico foi favorável ao retorno. Minha escola protocolou o pedido para cessação da readaptação em setembro de 2009, mas até agora não pude voltar.

MARIA DE LOURDES DE MORAES PEZZUOL é professora da rede estadual há 19 anos

Saúde do professor paulista


Reportagem da Folha de S. Paulo confirma pesquisa da APEOESP sobre saúde dos professores

Longe de abordar um problema “novo”, a reportagem confirma o que vimos denunciando há anos, inclusive com base em pesquisa que realizamos em 2003 sobre as condições de trabalho e as conseqüências à saúde dos professores.

A pesquisa da APEOESP

Aquela pesquisa mostrou que 75% dos professores ministram aulas para classes com mais de 36 alunos, sendo 32% com mais de 41 alunos (73% apontaram a superlotação das salas de aula como um dos fatores que interferem no seu desempenho). Mostrou também que 45% dos professores precisam manter outra atividade fora da rede estadual de ensino para complementar o salário; 63% consideraram regulares ou péssimas as condições de suas salas de aula.

A pesquisa mostrou ainda a falta de materiais pedagógicos adequados, violência nas escolas, situação social e dificuldades de aprendizagem dos alunos, jornada de trabalho excessiva e sobrecarga de atividades como principais motivos de sofrimento no trabalho.

São fatores como esses que levam os professores a adoecer. Quase 40% responderam que já precisaram afastar-se do trabalho por motivos de saúde e as doenças relacionadas ao trabalho mais citadas foram, pela ordem: estresse, problemas na voz, tendinite e, também, bursite e depressão. A incidência dessas doenças foi confirmada por diagnósticos médicos. Entre as manifestações e sintomas que os professores disseram sentir no momento da pesquisa estão cansaço, nervosismo, problemas com a voz, dores nas pernas, ansiedade, dores de cabeça, dores na coluna, além de 11 outras manifestações.

Pelo direito à vida

Nossa pesquisa foi, à época, solenemente ignorada pelo governo estadual e também pela grande mídia. Agora a matéria da Folha de S. Paulo, baseada em pesquisa realizada pela professora readaptada Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol, com financiamento da Secretaria Estadual da Educação, reafirma os mesmos dados: o magistério paulista sofre com a falta de condições de trabalho, a falta de uma política de prevenção e tratamento de saúde e com a desqualificação de seu trabalho, promovida justamente por quem deveria tomar as providências para equacionar os problemas apontados, ou seja, o próprio Estado.

Isto ocorreu, por exemplo, em 2008, quando o governo Serra/Goldman utilizou sua folgada maioria parlamentar na Assembleia Legislativa para aprovar a lei 1041, que restringiu as faltas por motivos médicos a apenas seis por ano! Ou seja, além de adoecer por falta de condições de trabalho, os professores são proibidos de cuidar da própria saúde e ainda ficaram com a imagem de faltosos contumazes.

Notem a contradição na declaração do chefe de gabinete da SE na reportagem da Folha de S. Paulo: “Havia muito abuso, por isso mudamos a legislação. Mas verificamos também que era preciso olhar para a qualidade de vida dos servidores”. Ora, tirar de todos os professores o direito elementar de se manterem saudáveis é a forma correta de coibir “abusos”?

Por isto a APEOESP lançou a campanha pela revogação da lei 1041/2008, sob o lema “Serra, por decreto, tira o direito à vida!” e incluímos este ponto entre os eixos da nossa greve.

A luta da APEOESP

A APEOESP tem lutado contra o conjunto de fatores que levam os professores ao estresse e ao adoecimento. Não fosse a atuação do sindicato a situação seria ainda mais grave. O Estado, por exemplo, pretendia simplesmente impedir qualquer possibilidade de que os professores categoria F que não atingiram a nota mínima na prova dos temporários obtivessem aulas em 2010. Ao conseguir a alteração do caráter da prova, de eliminatório para classificatório, a APEOESP também conseguiu que muitos desses professores voltassem às salas de aula. Não fosse isso e teríamos hoje uma legião de professores ainda mais desmotivados e sujeitos a adoecimento.

Também temos sido ativos nas lutas nacionais para fazer valer outros direitos, entre os quais se destaca a recomposição da jornada de trabalho prevista na lei 11.738/08 (Piso Salarial Profissional Nacional), que prevê 1/3 para atividades extra-classes, objeto de ação direta de inconstitucionalidade no STF articulada e incentivada pelo governo de São Paulo.

Pela revogação da lei 1041/2008

Assim como faz com o ranking nacional dos salários dos professores, a Folha de S. Paulo presta um relevante serviço público ao jogar luz sobre o problema da saúde dos professores. Achamos importante que existam nas escolas equipes com médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas e enfermeiros, mas são necessárias soluções preventivas e estruturais, como o fim da superlotação das salas de aula; redução da jornada de trabalho sem redução salarial; ampliação do espaço e melhoria da acústica nas salas de aula e disponibilização de microfone aos professores; substituição das lousas a giz e outras.

Além disso, o Estado deve instituir um serviço decente de atendimento aos servidores públicos, considerando que o Departamento de Perícias Médicas do Estado de São Paulo maltrata e humilha o funcionalismo público e o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual está longe de prestar um atendimento de qualidade.

Diante disto a lei 1041/2008 deve ser revogada e esperamos que as soluções a serem apresentadas pela Secretaria da Educação não se restrinjam à capital, como anunciado, pois a situação é a mesma em todas as regiões do estado.

domingo, 16 de maio de 2010

Agora é Dilma!


Dilma já ganha em todas as regiões, exceto na região Sul, por enquanto.

No Nordeste e Norte, ganha com ampla folga, mas ainda tem espaço para crescer, pois é onde Lula transfere mais votos.

No Centro-Oeste e Sudeste, Dilma ultrapassou, por apenas um ponto (tecnicamente empatada).

O resultado no Sudeste é devastador para Serra. A região é a mais populosa e seria a fortaleza demo-tucana, onde Serra precisaria vencer com ampla vantagem para compensar a derrota acachapante no Nordeste. Não é o que está acontecendo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Lula: Prêmio de Campeão Mundial contra a fome


O presidente Lula fez um discurso que deve ter provocado aplausos até do espírito de Mahatma Gandhi.

Foi na abertura do evento "Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar", em Brasília, após receber o prêmio de "Campeão Mundial da Luta contra a Fome", concedido pelo Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas.

O presidente Lula falou:

"Não tem nada mais importante para cada país, para cada povo do que a segurança alimentar como forma mais extraordinária de garantir a soberania e auto-determinação dos povos. Se um país tiver a arma mais poderosa que tiver, mas não tiver a comida de cada dia do seu povo plantada no seu território ou comprada fora, esse país não tem soberania...

... Se a gente esperar sobrar dinheiro do orçamento pra combater a forme nunca vai sobrar porque os que têm acesso ao orçamento são gananciosos e querem o dinheiro todo para eles, e não sobra para os pobres...

...Precisamos garantir a cada cidadão do país que ele possa ter o café da manhã, o almoço e o jantar de cada dia. Porque quem tem fome não pensa. A dor do estômago é maior do que muita gente imagina. E a pessoa que tem fome não vira revolucionário, vira pedinte, vira dependente. A fome não faz o guerreiro que gostaríamos que fizesse, a fome faz um ser humano subserviente, humilhado e sem forças para brigar contra seus algozes responsáveis pela fome...

...Se os dirigentes políticos no mundo não estiverem, cotidianamente, comprometidos com as pessoas que estão em piores situações em seu Estado, em seu país, fica mais difícil tomar decisão em benefício dos mais pobres. A verdade é que normalmente somos eleitos pelos mais pobres, mas quando ganhamos as eleições quem tem acesso aos gabinetes são os mais ricos...

...Normalmente a campanha é feita para os pobres, o problema é que na hora de governar o pobre sai da agenda. São os ricos que indicam ministros, assessores, eles determinam a política que se tem de fazer", disse Lula.

A placa foi entregue ao presidente pela diretora executiva do programa da ONU, Josette Sheeran, que endossou as palavras do presidente Lula:

"O presidente (Barack) Obama já chamou o presidente Lula de o presidente mais popular do mundo e eu acredito que isso tem muito a ver com sua batalha no combate à fome no mundo... nenhum país venceu a fome sem o compromisso dos seus líderes".

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Veja e Globo quer eleger Serra

A capa da revista Veja desta semana é uma afronta a população de São Paulo.

A reportagem diz que Serra deixa a casa em ordem para se candidatar a presidente. É importante lembrar que o governador deixou o governo de São Paulo com a greve dos professores e de servidores da saúde e também com indicativo de greve da polícia civil, isso é casa em ordem?

José Serra recusou-se a dialogar com os docentes e quando tentamos uma negociação no Palácio dos Bandeirantes, fomos recebidos a balas e bombas. É ignorando a data-base dos servidores da educação que ele deixa a casa em ordem? É ignorando os servidores da saúde que ele deixa a casa em ordem? É sucateando a polícia civil que ele deixa a casa em ordem?

A Veja só faltou chamar Serra de ursinho pimpão, publicou uma capa com um rosto meigo e simpático, escondendo as verdades de um governo que recebeu à balas os educadores paulistas. Por que a revista não divulga dados sobre a política educacional em São Paulo? Por que não fala sobre a política imunda de bônus que tenta comprar os professores para não dar reajuste digno e legal? Por que não aborda as propagandas enganosas veiculadas nas redes de televisões e rádios sobre uma escola estadual que não existe, sobre salas de informáticas fantasmas, sobre a utopia de existir dois professores por sala? Por que não fala que o governo tucano acabou com a educação em São Paulo, criando o regime de progressão continuada e assim jogando a escola no lixo e transformando em verdadeiras creches, onde o que menos importa é o aprendizado? Por que não divulga a existência das escolas de latas, as aulas de recuperação em pátio? Há tantos outros problemas encontrados na escola estadual mais próxima que deveriam ser noticiados pela mídia.

Eu não sei qual ordem a revista Veja se refere, na realidade e veracidade dos fatos José Serra deixa São Paulo em caos para tentar a presidência. A propaganda eleitoral antecipada veiculada por esta revista não será julgada? O jingle da Rede Globo com total alusão a campanha de Serra também não será punida? A música tema está totalmente atrelada ao slogan de campanha do tucano além de aparecer o número 45, mesmo número de legenda do PSDB. Para quem sabe ler um pingo é i.

A justiça deve ser imparcial e fazer valer o que determina a lei.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Luta continua!

Parabéns, professores e professoras. A mobilização continua. Reunião com o secretário da Educação na terça-feira, 13/04
09/04/2010

Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado!
Rui Barbosa

A greve é sempre um momento crucial. Demanda esforço, emoção, desprendimento e espírito de luta. Nós suspendemos a nossa greve para continuar a luta por outros meios, de cabeça erguida, orgulhosos de sermos professores e professoras.

Não existe greve que não tenha resultados, e a nossa também terá. De certa forma já somos vitoriosos, porque tivemos a coragem de fazer uma greve muito difícil e, com ela, expusemos para São Paulo e para o Brasil a realidade da nossa categoria e a situação da escola pública, que os tucanos querem fazer crer com sua propaganda que é ótima e que está melhorando com suas políticas. Quebramos a blindagem do governo Serra/Goldman e recolocamos a educação no centro das atenções.

Fizemos uma greve contra um dos governos mais autoritários e truculentos que São Paulo já conheceu. Um governo que utiliza seu apoio de mídia, sua esmagadora maioria parlamentar, o apoio que detém em certa base social (de elite), não para fazer avançar o estado de São Paulo economica e socialmente, mas para impor políticas definidas em âmbito restrito sem qualquer tipo de consulta ou debate com a sociedade.

Sabíamos que a luta não seria fácil. E não está sendo. Mas milhares de professores e professoras, embora cientes de todas as dificuldades, permaneceram na greve do primeiro ao último dia. Apesar das ameaças, notificações, pressões, perspectiva de não receberem salários. São guerreiros e guerreiras da educação, que merecem parabéns pelo esforço e pelo exemplo.

Convido todos e todas a comparecem à Praça da República na terça-feira, 13/04, a partir das 11 horas, pois às 11h30 se inicia mais uma reunião com o secretário da Educação. Ali vamos defender, como sempre, nossas reivindicações e pressionar pelo pagamento dos dias parados.

sábado, 3 de abril de 2010

Filme: Chico Xavier





O filme nacional Chico Xavier (veja trailer e fotos) conta a história do líder espírita mais conhecido do Brasil. No longa-metragem, o diretor Daniel Filho retrata desde a infância pobre até a morte de Francisco Cândido Xavier (1910 – 2002).

Nascido em Minas Gerais, o médium Chico Xavier ficou famoso após psicografar mensagens que seriam de espíritos. No elenco estão Nelson Xavier, Giovanna Antonelli, Letícia Sabatella, Tony Ramos, Christiane Torloni, Laura Cardoso, Ângelo Antônio, Giulia Gam e Ailton Graça, entre outros.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O apoio do Lula


Presidente não cita SP, mas diz que paralisações ajudaram a melhorar ações do governo

Sobre as multas que levou do TSE por propaganda antecipada, petista ironiza e diz que precisa se “conter” durante os seus discursos

SIMONE IGLESIAS DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou sua ida a um evento de educação para defender o direito de greve dos professores, dizer que a categoria não é valorizada e afirmar que não se conforma com os baixos salários pagos a eles.

Apesar de não ter citado a situação em São Paulo, a fala de Lula foi uma provocação ao governador e pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, que enfrenta uma greve de professores há 25 dias. Os tucanos alegam que a greve é política.

Lula fez duas referências ao direito à greve, ao falar para cerca de 3.000 pessoas que estavam na 1ª Conferência Nacional de Educação.

Primeiro, ao listar uma série de ações do seu governo na área, disse: “Não pensem que a gente chegou até aqui apenas por nossa vontade. É porque as cobranças de vocês, as conferências de vocês, as greves de vocês, as conversas de vocês é que fizeram a gente entender que um governo bom não é aquele que governa dissociado do povo. Um governo bom é aquele que tem capacidade de colocar em prática como políticas públicas o que ouve em cada rua, em cada escola, em cada fábrica, em cada banco”.

Depois, fez elogios ao ministro Fernando Haddad (Educação), chamando-o de “dádiva de Deus” e dizendo que ele soube formar uma boa equipe na pasta, capaz de atender às demandas do setor.

Para Lula, os professores em greve agem como uma “torcida organizada” para serem valorizados. “Um técnico não ganha jogo, é preciso que tenha bons jogadores do seu lado, e da torcida organizada, que são os educadores deste país que vão à luta, que brigam, que exigem, que fazem greve, que negociam, mas que, muitas vezes, não são valorizados.” Lula afirmou que, nos últimos 30 anos, os professores tiveram a profissão “judiada”, “sucateada” e “maltratada”. De acordo com ele, os educadores costumam ser lembrados apenas no dia 15 de outubro-Dia do Professor.

”Não me conformo é alguém achar que um piso de R$ 1.020 é alto para uma professora que toma conta dos nossos filhos”, disse, em referência ao valor nacional de referência do Ministério da Educação para professores da educação básica.

Ontem, a Folha mostrou que São Paulo caiu quatro posições no ranking de salário de docentes, ocupando a 14ª posição entre os 27 Estados. No sistema paulista, o salário é de R$ 1.834, para uma jornada de 40 horas semanais.

Multas
No evento, o presidente ironizou as multas que recebeu do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

“Hoje eu vou ler o meu discurso porque estou sendo multado todo dia, e daqui a pouco eu vou ter que trabalhar o resto da vida para pagar multa. Eu vou me conter”, disse, ao ser aplaudido. Os professores gritaram palavras de apoio à candidatura de Dilma Rousseff: “O povo decidiu. Agora é a Dilma presidente do Brasil”.

Lula disse ainda que rejeita a ideia de se tornar “ex-presidente” e que, quando acabar seu mandato, continuará “andando pelo país”.

OBS: A foto que ilustra este post é de Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial da Presidência da República, e foi publicada pelo jornal O Globo

Apoio à Dilma!

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